As minhas sobrinhas foram à Festa. Entre sílabas trocadas e atrapalhadas, conseguem dizer o nome da Festa e esboçam um sorriso. Parece que sabem que foi na Festa que deram o primeiro sinal de quererem conhecer o nosso Mundo. E o que isso nos afligiu! Lembro-me bem de toda a afliçã que todos sentimos enquanto estávamos no relvado rodeados de centenas de pessoas que se divertiam e que mal podiam adivinhar que ali estavam duas pérolas desejosas de nos encher os olhos de lágrimas.
Este ano, como vem sendo hábito, relembrámos essa noite e muitos momentos que passámos na Festa, desde que nascemos. Vimos como estamos cada vez mais crescidos/as e como a vida evolui. Este ano também já não eramos só nós, a rapaziada de sempre. Estavam mais os respectivos frutos do amor de alguns de nós. Amores e desamores. Histórias que precisam de recuperar o brilho das estrelas que, um dia, deixaram de sorrir. Simplesmente porque as proibiram de sorrir.
Pusemos as meninas a ver teatro. Era o que nós fazíamos antes de entrarmos na adolescência. Devorávamos peças de teatro no Avanteatro e criávamos o nosso pequeno mundo de fantasia. Eram momentos tão felizes que ainda hoje nos fazem sorrir. Enquando elas viam teatro, acredito que muita coisa passou pela nossa cabeça e, possivelmente, sentimos o mesmo: Felicidade.
Estivemos em Timor a comer as fantástica espetadas. Há anos que lá vamos comer esse petisco. Há alguns anos, andávamos nós noutras lutas, fazia todo o sentido passarmos horas e horas à frente da banca de Timor, convivendo com quem lá estava. Agora não passamos horas e horas, mas passamos o tempo necessário para matarmos saudades de tempos que já lá vão e para passarmos o "bichinho timorense" para a pequenada.
Elas estiveram connosco na Festa e, com uma alegria absolutamente genial, fizeram-nos lembrar que é preciso continuar e é urgente povoá-las com o nosso orgulho, transmitindo-lhes a felicidade que sentimos em sermos quem somos. E em sermos vítimas de décadas e décadas de laços de Amizade.
Simplesmente porque nos deixa muito felizes manter vivo algo que os nossos pais construíram quando ainda nem dez anos tinham.


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