terça-feira, 23 de novembro de 2010

Eles estão a partir aos poucos. Os grandes. Os indestrutíveis. O camarada Álvaro, como de certo gostaria que o tratasse, abriu o caminho e tantos têm sido os grandes (uns mais que outros) que lhe têm seguido as pisadas...
Morais e Castro, Villarigues, Dias Lourenço, Sofia Ferreira, José Saramaago e tantos outros a quem recentemente se juntou o Joaquim Gomes.
Eles estão a partir e com eles parte um glorioso pedaço de História. Parte um aglomerado de força, convicções, exemplo e coragem. Eles estão a partir e a nós apenas nos resta dar continuidade ao que sempre fizeram: a luta.

Até Sempre

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Podemos travar diversas lutas.
Desde sempre travei lutas e houve até quem admirasse essa minha capacidade. Não tive por hábito virar a cara e raras foram as vezes em que tive que assumir o papel de derrotada. Felizmente. Desde lutas de foro social a pessoal e, neste momento, mais do que me juntar à luta de todos nós, enquanto cidadãos engolidos pelo falhado sistema capitalista, centro-me numa luta pessoal que vou travando aos poucos, na esperança de assumir definitivamente o papel de vencedora. É uma luta pessoal que mexe comigo e que faz com que esteja mais sensível aos estímulos e ao que me é dito pelos outros. Estou nas trincheiras e é quando toda e qualquer palavra ou frase mal disparadas me cortam o peito e me deixam rendida à tristeza. São armas que disparam, nem sempre com um alvo destinado, mas que acabam por acertar sempre num. No meu. No que, neste momento, é o mais vulnerável.
É uma luta que se prolonga no tempo, cujo último pico começou há dias, semanas... Saberei eu quando vestir a pele de vencedora? Ou terei que ir ao sótão buscar a de vencida?

sábado, 9 de outubro de 2010

Caramba. Hoje estou a ter umas saudades inexplicáveis do tempo em que estive em França. Parece que estou lá e que, depois de descer alguns degraus, estou à entrada da faculdade. Dando uns passos atravesso um bosque e chego ao supermercado. Bolas. Estou mesmo a sentir saudades. Apetece-me voltar lá. Muito.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

«O presidente do Município de Arraiolos (CDU) reiterou hoje a contestação ao fecho da Escola Básica de Santana do Campo, alertando que, até solicitação dos pais, não vai haver transporte escolar para a transferência dos alunos.»

Por estas é por outras é que a CDU faz falta.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Foi uma trabalhosa festa, sem muito tempo para a diversão, mas saímos de lá com a sensação de missão cumprida. Em nome de um ideal. De um sonho. Em nome do lado esquerdo do peito.

domingo, 22 de agosto de 2010

Meu querido mês de Agosto, por ti levam os professores o ano inteiro a chorar...

Em meados de Agosto surge, finalmente, a lista de todas as escolas que encerrarão as suas portas. De repetina, esta medida nada tem e isto porque já era de prever que o abençoado Ministério da Educação quisesse cortar ainda mais nas despesas da Educação. Pois bem, encerrem-se escolas. Toca a sacrificar crianças, famílias e professores. É o que vamos fazer.
Centenas e centenas de escolas encerradas representa uma poupança brutal de euros, pois claro. Talvez seja das medidas mais aprovadas pelo Sr Primeiro Ministro que de Senhor nada tem.
Encerrando largas centenas de escolas estamos a condenar centenas de crianças a sacrificar o corpo, acordando cada vez mais cedo, fazendo trajectos cada vez mais superiores entre a casa e escola, diminuindo, portanto, o tempo destinado ao trabalho autónomo e ao estudo. E que ganharemos com isto? Sucesso escolar? Não me parece. Criaremos uma geração de crianças com cada vez menos tempo para ser dispensado para as tarefas escolares...
E agora parece que surgiu a ideia de anularmos as retenções. Pois bem, lá vai novamente a Sra Ministra pensar em poupar dinheirinho ao Estado. Pois bem, não se retém ninguém. Não há gastos execessivos. Sim. Aí está. Criamos uma geração de ilusões.
Parece que a Senhora Ministra, que já se esqueceu que também é professora e que, antes de subir ao trono da 5 de Outubro também ensinou crianças com pouco mais de dez anos, alega que está a seguir o exemplo dos países nórdicos cujo insucesso escolar é quase nulo...
Ora bolas, Sra Ministra. Já que fala, que implique veracidade nas suas afirmações.
Falemos, então, dos casos nórdicos, já que a Sra Ministra tanto deles gosta.
Será que as condições de trabalho dos professores serão as mesmas? E os alunos por turma, Sra Ministra? Terão quase 3 dezenas de alunos numa sala como nós temos? E o tempo disponível para acompanhamento individual? Será tão reduzido quanto o nosso?
E, se calhar, referindo-me ao nosso quintal, não importa tocar no assunto dos concursos de professores e da instabilidade causada pelos mesmos. Parece que esse é um típico assunto do final do mês de Agosto.
Até porque não nos podemos esquecer que a classe dos professores está a escassos dias de saber se fica ou não colocada, ou seja, estamos em vias de saber quantos de nós ficam a contar os cêntimos para comprar o pão e a pensar no esforço que fizeram durante 4 anos para agora fazerem parte do exército de desempregados.
O que se passa com a Educação, neste momento, é realmente assustador e estamos perante uma Sra Ministra que apenas pretende atirar areia para os olhos do "seu" povo, escondendo a vontade cega que a move.
Rumamos pelo trilho errado. Tiramos crianças das suas escolas, encerrando centenas, alteramos rotinas familiares, sobrecarregamos professores (não nos esqueçamos da pouca vergonha do sistema de avaliação dos professores), criamos concursos de professores com erros totalmente inadmissíveis e fazemos com que as crianças deixem de reprovar. Mas o que vem a ser isto? Uma anedota?
Por favor, Sra Ministra, ponha a mão na consciência e tente pensar nos erros que está a cometer.
Lembre-se de onde veio e, em vez, de fazer ao funeral ao Ensino, tente dar-lhe um pouco de vida.
Tenha paciência, Sra Ministra, mas enquanto tomar medidas tão pouco democráticas, duvido que algum professor a reconheça como antiga colega. Por mim, prefiro ignorá-la.

sábado, 19 de junho de 2010

Comecei a ler Saramago pelas mãos de uma pessoa muito especial. Pelas mãos do António. Do meu António. Caim. Levantado do Chão. Saramago deixa-nos quando ainda não trago o segundo lido e fica um amargo sabor por não ter travado conhecimento com as suas palavras escritas há mais tempo.

Até Sempre, Saramago

terça-feira, 11 de maio de 2010

O Benfica é campeão e o Papa está em Lisboa.

Duas notícias excelentes para encherem o noticiário. Motivos suficientes para taparem o anúncio dos cortes nos subsídios de Natal e o aumento do IVA.

Habemus Papa!

terça-feira, 20 de abril de 2010

uma gaivota voava, voava...

Felizmente ainda há crianças que sabem mais do que «Revolução dos Escravos», no dia 25 de Abril.
Hoje ouvi, numa rubrica da Antena 1, uma criança de apenas nove anos a falar sobre o 25 de Abril. Por momentos, e apesar de já ter tido o privilégio de ensinar umas quantas crianças, apeteceu-me abraçar aquele menino e elogiar quem lhe ensinou tantas coisas acerca da grande Revolução.
Não se trata apenas de uma data para preencher o manual, como se chouriços estivessemos a tentar encher. Acima de tudo, e apesar de correr o risco de me tornar repetitiva, é o marco da libertação de todo um país e colónias de um regime totalmente autoritário e ditatorial. Sim, cinco décadas de Fascismo em Portugal merecem mais que uma página num mero manual.
Não pretendo com isto elogiar o fascismo e atribuir-lhe um lugar de honra em todo e qualquer livro. Nada disso. Pretendo, sim, fazer com que a memória de todos nós não esqueça o que por cá já se viveu e as dificuladdes que causou quem outrora tudo queria controlar.
Trata-se de tentar avivar a memória dos que cá estão e tentar esclarecer as gerações que ainda virão. A memória é curta. Não é por acaso que já há quem apele a Salazar e se refira a ele como o salvador do país. Metrópole, digamos assim.
O caso da criança de nove anos que hoje falou acerca do 25 de Abril é de elogiar e, muito honestamente, espero que por este Mundo fora existam mais crianças com tamanhas ideias tão esclarecidas.
Saber que há crianças que sabem que o país se libertou há 36 anos deixa-me um rasgo de esperança e faz-me tentar acreditar que as próximas gerações saberão o que foi o 25 de Abril. Hoje, sim, consegui sentir um pouco de esperança. Não é fácil senti-la, sobretudo quando se vê meia dúzia de parágrafos alusivos ao tema para serem abordados em contexto de sala de aula.
Atenção! O 25 de Abril é mais do que isso. É a Revolução das Mulheres! E por que não haveremos nós de falar nisso nas escolas? Na meia dúzia de parágrafos que se empinam há referências à data, às colónias, MFA, Salgueiro Maia e pouco mais. E as Mulheres? Comecemos, então, a falar das mulheres e do 25 de Abril. O 25 de Abril trouxe Liberdade. As mulheres passaram a ser livres. Liberdade. Há palavra mais forte que esta? Passaram a ser livres, como a gaivota que é cantada há dezenas e dezenas de anos. Falemos, então, disto nas escolas. Tiremos mais do que uma aula para explicar a importância de uma madrugada para todo um país. Façamos de conta que não vemos que os Governos de direita e de falsa esquerda querem reduzir o 25 de Abril a cinzas. Há que manter o 25 de Abril vivo. Há que avivar e plantar memórias. Há que contar a História como ela foi feita e não como a querem fazer.
Haja coragem para dizer, tal como a criança dizia hoje na rádio, 25 DE ABRIL SEMPRE. FASCISMO NUNCA MAIS.

domingo, 14 de março de 2010

Tenho um bocadinho do coração apertado por saber que a minha avó, a esta hora, não está nas nossas casas, mas sim na sua nova casa. Casa cuja sombra tanto medo lhe causou durante anos e anos. Sombra num determinado luto.

domingo, 7 de março de 2010

Lutar do outro lado da luta também é lutar por quem amamos. Por quem queremos fazer felizes. Por quem ansiamos ao nosso lado. Por quem o nosso coração bata.
Lutar também é erguer o punho e gritar ao Mundo que trazemos no coração a cor dos olhos e a ternura do sorriso da pessoa que nos faz feliz.
A palavra Lutar não se extingue. Compõem-na eternas letras e cinco delas formam a mais bela palavra que habita o meu coração e que, muitas vezes, é sussurrada ao ouvido da pessoa que amo. Amo-te.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010