Felizmente ainda há crianças que sabem mais do que «Revolução dos Escravos», no dia 25 de Abril.
Hoje ouvi, numa rubrica da Antena 1, uma criança de apenas nove anos a falar sobre o 25 de Abril. Por momentos, e apesar de já ter tido o privilégio de ensinar umas quantas crianças, apeteceu-me abraçar aquele menino e elogiar quem lhe ensinou tantas coisas acerca da grande Revolução.
Não se trata apenas de uma data para preencher o manual, como se chouriços estivessemos a tentar encher. Acima de tudo, e apesar de correr o risco de me tornar repetitiva, é o marco da libertação de todo um país e colónias de um regime totalmente autoritário e ditatorial. Sim, cinco décadas de Fascismo em Portugal merecem mais que uma página num mero manual.
Não pretendo com isto elogiar o fascismo e atribuir-lhe um lugar de honra em todo e qualquer livro. Nada disso. Pretendo, sim, fazer com que a memória de todos nós não esqueça o que por cá já se viveu e as dificuladdes que causou quem outrora tudo queria controlar.
Trata-se de tentar avivar a memória dos que cá estão e tentar esclarecer as gerações que ainda virão. A memória é curta. Não é por acaso que já há quem apele a Salazar e se refira a ele como o salvador do país. Metrópole, digamos assim.
O caso da criança de nove anos que hoje falou acerca do 25 de Abril é de elogiar e, muito honestamente, espero que por este Mundo fora existam mais crianças com tamanhas ideias tão esclarecidas.
Saber que há crianças que sabem que o país se libertou há 36 anos deixa-me um rasgo de esperança e faz-me tentar acreditar que as próximas gerações saberão o que foi o 25 de Abril. Hoje, sim, consegui sentir um pouco de esperança. Não é fácil senti-la, sobretudo quando se vê meia dúzia de parágrafos alusivos ao tema para serem abordados em contexto de sala de aula.
Atenção! O 25 de Abril é mais do que isso. É a Revolução das Mulheres! E por que não haveremos nós de falar nisso nas escolas? Na meia dúzia de parágrafos que se empinam há referências à data, às colónias, MFA, Salgueiro Maia e pouco mais. E as Mulheres? Comecemos, então, a falar das mulheres e do 25 de Abril. O 25 de Abril trouxe Liberdade. As mulheres passaram a ser livres. Liberdade. Há palavra mais forte que esta? Passaram a ser livres, como a gaivota que é cantada há dezenas e dezenas de anos. Falemos, então, disto nas escolas. Tiremos mais do que uma aula para explicar a importância de uma madrugada para todo um país. Façamos de conta que não vemos que os Governos de direita e de falsa esquerda querem reduzir o 25 de Abril a cinzas. Há que manter o 25 de Abril vivo. Há que avivar e plantar memórias. Há que contar a História como ela foi feita e não como a querem fazer.
Haja coragem para dizer, tal como a criança dizia hoje na rádio, 25 DE ABRIL SEMPRE. FASCISMO NUNCA MAIS.


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