terça-feira, 22 de dezembro de 2009

As pedras da calçada reclamam o frio que as atravessa e denunciam o calor dos passos que as percorrem. Pedras há que se sentem acarinhadas por quem, muito injustamente, nada nem ninguém tem, e entrega o corpo e a alma a um qualquer cobertor e pedaço de cartão, neles procurando o calor do abraço que não têm.
Custa-me passar na cidade e testemunhar a existência de tamanha e tão cruel pobreza.
Trago na mente a imagem do senhor que, hoje de manhã, fazendo do Teatro da Comuna, seu protector, travava uma dura batalha com o cobertor que humildemente tentava fazer frente ao rude vento que soprava por toda a cidade. Trago essa imagem na mente e tenho a certeza que só me esquecerei dela no dia em que não testemunhar a existência de mais nenhum destes cobertores.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Nobel da Paz

Obama, presidente dos Estados Unidos da América, recebeu hoje o Prémio Nobel da Paz.

A questão é:

estão a gozar comigo?!?!?

Obama - Nobel da Paz?!?

domingo, 6 de dezembro de 2009

Minaretes na Suíça

Em época de Natal, que costuma ser de conforto e harmonia, assistimos a uma crescente aversão ao povo Muçulmano.
A notícia vinda da Suíça faz-nos pensar e faz-nos tentar perceber que raio de perseguição é feita a um grupo de pessoas que, na verdade, nenhuma culpa tem. Em 2007 tinha surgido a ideia de serem proibidos os minaretes. Essa ideia passou para o plano do referendo e, na verdade, o resultado foi assustador.
Ora, da Suíça chega-nos um claro voto contra os minaretes. Isto deixa-me o cérebro e o coração em pólvora.
Os minaretes não são mais que as torres das mesquitas. É através dos minaretes que os Muçulmanos são chamados para as orações do dia. Se temos quem vote contra a presença de minaretes temos, claramente, quem se oponha e quem tente minimizar/eliminar a presença do povo de Maomé, num país claramente Europeu.
Estamos perante uma forte fonte de discriminação e na minha mente não são dadas razões que tal justifiquem. Os Muçulmanos são seres humanos como todos os outros, apenas têm uma religião diferente. Veiculam as suas vidas de acordo com os pilares essenciais do Islamismo. E depois? Será isso uma razão suficientemente forte para os discriminarem?
Seguem o Corão, fazem as orações diárias seguindo a orientação de Meca, não comem carnes sem terem a certeza que a morte dos animais seguiu os "processos correctos", de tudo fazem para irem pelo menos uma vez na vida a Meca, acreditam no juízo final e na predestinação... E depois?
A Igreja Católica, por exemplo, não terá também os seus principais mandamentos? Não apela à ida das pessoas às igrejas? E que tal fazermos um referendo para acabarmos com a presença das torres das Igrejas? Eliminaríamos "apenas" uma parte do edifício. Não seria, então, uma medida de igual para igual? E os Católicos, gostariam? Gostariam de ver que a sua religião estava a ser assassinada pelos votos de quem não conhece a palavra "tolerância"?
Em pleno século XXI, num Mundo fustigado por grandes guerras cujo sangue muitas famílias destruiu, não entendo as pessoas que insistem em continuar a alimentar fontes de discriminação, fazendo com que cresça um sistemático desconforto social e um crescente burburinho que alimentará sedes de guerras. É o que parece que querem. Abrir fissuras com um povo. Alimentar guerras. E não tenho em mente apenas as guerras propriamente ditas. Físicas. A própria proibição de algo que, para mim, é muito importante, faz com que eu própria entre psicologicamente em guerra e sinta aversão a quem quer retirar parte do que, para mim, é importante.
Esta aversão aos seguidores de Maomé deixa-me perplexa e faz-me colocar diversas questões retóricas. Retóricas, sim, porque não consigo encontrar respostas para atitudes tão pouco humanas com um potencial tão irracional.
Se o homem é um animal racional, as pessoas que votaram na Suíça foram às urnas e deixaram em casa o que de racional existe nelas.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

domingo, 27 de setembro de 2009

As minhas sobrinhas foram à Festa. Entre sílabas trocadas e atrapalhadas, conseguem dizer o nome da Festa e esboçam um sorriso. Parece que sabem que foi na Festa que deram o primeiro sinal de quererem conhecer o nosso Mundo. E o que isso nos afligiu! Lembro-me bem de toda a afliçã que todos sentimos enquanto estávamos no relvado rodeados de centenas de pessoas que se divertiam e que mal podiam adivinhar que ali estavam duas pérolas desejosas de nos encher os olhos de lágrimas.
Este ano, como vem sendo hábito, relembrámos essa noite e muitos momentos que passámos na Festa, desde que nascemos. Vimos como estamos cada vez mais crescidos/as e como a vida evolui. Este ano também já não eramos só nós, a rapaziada de sempre. Estavam mais os respectivos frutos do amor de alguns de nós. Amores e desamores. Histórias que precisam de recuperar o brilho das estrelas que, um dia, deixaram de sorrir. Simplesmente porque as proibiram de sorrir.
Pusemos as meninas a ver teatro. Era o que nós fazíamos antes de entrarmos na adolescência. Devorávamos peças de teatro no Avanteatro e criávamos o nosso pequeno mundo de fantasia. Eram momentos tão felizes que ainda hoje nos fazem sorrir. Enquando elas viam teatro, acredito que muita coisa passou pela nossa cabeça e, possivelmente, sentimos o mesmo: Felicidade.
Estivemos em Timor a comer as fantástica espetadas. Há anos que lá vamos comer esse petisco. Há alguns anos, andávamos nós noutras lutas, fazia todo o sentido passarmos horas e horas à frente da banca de Timor, convivendo com quem lá estava. Agora não passamos horas e horas, mas passamos o tempo necessário para matarmos saudades de tempos que já lá vão e para passarmos o "bichinho timorense" para a pequenada.
Elas estiveram connosco na Festa e, com uma alegria absolutamente genial, fizeram-nos lembrar que é preciso continuar e é urgente povoá-las com o nosso orgulho, transmitindo-lhes a felicidade que sentimos em sermos quem somos. E em sermos vítimas de décadas e décadas de laços de Amizade.
Simplesmente porque nos deixa muito felizes manter vivo algo que os nossos pais construíram quando ainda nem dez anos tinham.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009


Eu sei em quem vou votar.


E tu?
Já decidiste?

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

36 anos depois, há que recordar o Chile e o grande Salvador Allende.

http://www.youtube.com/watch?v=g1QJ-y_xUmk

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Da Festa do Avante! guardo a alegria, os sorrisos e os abraços. As surpresas e as lágrimas surpreendentes. Guardo um bocadinho de todas as pessoas que se cruzaram no meu caminho. O vermelho das bandeiras que bailavam ao som de rubros cânticos. Os rostos felizes de todos os camaradas que, de punho erguido, ambicionam uma vida melhor. Não só para eles, mas sim para todos nós.

Retirei o pedacinho especial e habitual da nossa família. A Festa do Avante! é a origem desta treta toda. Já lá vão mais de trinta anos... :P

Da Festa do Avante de 2009 retirei um bocadinho para colocar na caixa de recordações de todas as Festas, desde 1983.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

FESTA DO AVANTE!


Que ninguém falte à Festa do Avante!

Não há Festa como esta!

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Ao meu Partido


Deste-me a fraternidade para com o que não conheço.

Acrescentaste à minha a força de todos os que vivem.

Deste-me outra vez a pátria como se nascesse de novo.

Deste-me a liberdade que o solitário não tem.

Ensinaste-me a acender a bondade, como um fogo.

Deste-me a rectidão de que a árvore necessita.

Ensinaste-me a ver a unidade e a diversidade dos homens.

Mostraste-me como a dor de um indivíduo morre com a vitória de todos.

Fizeste-me edificar sobre a realidade como sobre uma rocha.

Tornaste-me adversário do malvado e muro contra o frenético.

Fizeste-me ver a claridade do mundo e a possibilidade da alegria.

Tornaste-me indestrutível, porque, graças a ti, não termino em mim mesmo.


Pablo Neruda, Ao meu Partido