Em época de Natal, que costuma ser de conforto e harmonia, assistimos a uma crescente aversão ao povo Muçulmano.
A notícia vinda da Suíça faz-nos pensar e faz-nos tentar perceber que raio de perseguição é feita a um grupo de pessoas que, na verdade, nenhuma culpa tem. Em 2007 tinha surgido a ideia de serem proibidos os minaretes. Essa ideia passou para o plano do referendo e, na verdade, o resultado foi assustador.
Ora, da Suíça chega-nos um claro voto contra os minaretes. Isto deixa-me o cérebro e o coração em pólvora.
Os minaretes não são mais que as torres das mesquitas. É através dos minaretes que os Muçulmanos são chamados para as orações do dia. Se temos quem vote contra a presença de minaretes temos, claramente, quem se oponha e quem tente minimizar/eliminar a presença do povo de Maomé, num país claramente Europeu.
Estamos perante uma forte fonte de discriminação e na minha mente não são dadas razões que tal justifiquem. Os Muçulmanos são seres humanos como todos os outros, apenas têm uma religião diferente. Veiculam as suas vidas de acordo com os pilares essenciais do Islamismo. E depois? Será isso uma razão suficientemente forte para os discriminarem?
Seguem o Corão, fazem as orações diárias seguindo a orientação de Meca, não comem carnes sem terem a certeza que a morte dos animais seguiu os "processos correctos", de tudo fazem para irem pelo menos uma vez na vida a Meca, acreditam no juízo final e na predestinação... E depois?
A Igreja Católica, por exemplo, não terá também os seus principais mandamentos? Não apela à ida das pessoas às igrejas? E que tal fazermos um referendo para acabarmos com a presença das torres das Igrejas? Eliminaríamos "apenas" uma parte do edifício. Não seria, então, uma medida de igual para igual? E os Católicos, gostariam? Gostariam de ver que a sua religião estava a ser assassinada pelos votos de quem não conhece a palavra "tolerância"?
Em pleno século XXI, num Mundo fustigado por grandes guerras cujo sangue muitas famílias destruiu, não entendo as pessoas que insistem em continuar a alimentar fontes de discriminação, fazendo com que cresça um sistemático desconforto social e um crescente burburinho que alimentará sedes de guerras. É o que parece que querem. Abrir fissuras com um povo. Alimentar guerras. E não tenho em mente apenas as guerras propriamente ditas. Físicas. A própria proibição de algo que, para mim, é muito importante, faz com que eu própria entre psicologicamente em guerra e sinta aversão a quem quer retirar parte do que, para mim, é importante.
Esta aversão aos seguidores de Maomé deixa-me perplexa e faz-me colocar diversas questões retóricas. Retóricas, sim, porque não consigo encontrar respostas para atitudes tão pouco humanas com um potencial tão irracional.
Se o homem é um animal racional, as pessoas que votaram na Suíça foram às urnas e deixaram em casa o que de racional existe nelas.


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