terça-feira, 20 de abril de 2010

uma gaivota voava, voava...

Felizmente ainda há crianças que sabem mais do que «Revolução dos Escravos», no dia 25 de Abril.
Hoje ouvi, numa rubrica da Antena 1, uma criança de apenas nove anos a falar sobre o 25 de Abril. Por momentos, e apesar de já ter tido o privilégio de ensinar umas quantas crianças, apeteceu-me abraçar aquele menino e elogiar quem lhe ensinou tantas coisas acerca da grande Revolução.
Não se trata apenas de uma data para preencher o manual, como se chouriços estivessemos a tentar encher. Acima de tudo, e apesar de correr o risco de me tornar repetitiva, é o marco da libertação de todo um país e colónias de um regime totalmente autoritário e ditatorial. Sim, cinco décadas de Fascismo em Portugal merecem mais que uma página num mero manual.
Não pretendo com isto elogiar o fascismo e atribuir-lhe um lugar de honra em todo e qualquer livro. Nada disso. Pretendo, sim, fazer com que a memória de todos nós não esqueça o que por cá já se viveu e as dificuladdes que causou quem outrora tudo queria controlar.
Trata-se de tentar avivar a memória dos que cá estão e tentar esclarecer as gerações que ainda virão. A memória é curta. Não é por acaso que já há quem apele a Salazar e se refira a ele como o salvador do país. Metrópole, digamos assim.
O caso da criança de nove anos que hoje falou acerca do 25 de Abril é de elogiar e, muito honestamente, espero que por este Mundo fora existam mais crianças com tamanhas ideias tão esclarecidas.
Saber que há crianças que sabem que o país se libertou há 36 anos deixa-me um rasgo de esperança e faz-me tentar acreditar que as próximas gerações saberão o que foi o 25 de Abril. Hoje, sim, consegui sentir um pouco de esperança. Não é fácil senti-la, sobretudo quando se vê meia dúzia de parágrafos alusivos ao tema para serem abordados em contexto de sala de aula.
Atenção! O 25 de Abril é mais do que isso. É a Revolução das Mulheres! E por que não haveremos nós de falar nisso nas escolas? Na meia dúzia de parágrafos que se empinam há referências à data, às colónias, MFA, Salgueiro Maia e pouco mais. E as Mulheres? Comecemos, então, a falar das mulheres e do 25 de Abril. O 25 de Abril trouxe Liberdade. As mulheres passaram a ser livres. Liberdade. Há palavra mais forte que esta? Passaram a ser livres, como a gaivota que é cantada há dezenas e dezenas de anos. Falemos, então, disto nas escolas. Tiremos mais do que uma aula para explicar a importância de uma madrugada para todo um país. Façamos de conta que não vemos que os Governos de direita e de falsa esquerda querem reduzir o 25 de Abril a cinzas. Há que manter o 25 de Abril vivo. Há que avivar e plantar memórias. Há que contar a História como ela foi feita e não como a querem fazer.
Haja coragem para dizer, tal como a criança dizia hoje na rádio, 25 DE ABRIL SEMPRE. FASCISMO NUNCA MAIS.