domingo, 22 de agosto de 2010

Meu querido mês de Agosto, por ti levam os professores o ano inteiro a chorar...

Em meados de Agosto surge, finalmente, a lista de todas as escolas que encerrarão as suas portas. De repetina, esta medida nada tem e isto porque já era de prever que o abençoado Ministério da Educação quisesse cortar ainda mais nas despesas da Educação. Pois bem, encerrem-se escolas. Toca a sacrificar crianças, famílias e professores. É o que vamos fazer.
Centenas e centenas de escolas encerradas representa uma poupança brutal de euros, pois claro. Talvez seja das medidas mais aprovadas pelo Sr Primeiro Ministro que de Senhor nada tem.
Encerrando largas centenas de escolas estamos a condenar centenas de crianças a sacrificar o corpo, acordando cada vez mais cedo, fazendo trajectos cada vez mais superiores entre a casa e escola, diminuindo, portanto, o tempo destinado ao trabalho autónomo e ao estudo. E que ganharemos com isto? Sucesso escolar? Não me parece. Criaremos uma geração de crianças com cada vez menos tempo para ser dispensado para as tarefas escolares...
E agora parece que surgiu a ideia de anularmos as retenções. Pois bem, lá vai novamente a Sra Ministra pensar em poupar dinheirinho ao Estado. Pois bem, não se retém ninguém. Não há gastos execessivos. Sim. Aí está. Criamos uma geração de ilusões.
Parece que a Senhora Ministra, que já se esqueceu que também é professora e que, antes de subir ao trono da 5 de Outubro também ensinou crianças com pouco mais de dez anos, alega que está a seguir o exemplo dos países nórdicos cujo insucesso escolar é quase nulo...
Ora bolas, Sra Ministra. Já que fala, que implique veracidade nas suas afirmações.
Falemos, então, dos casos nórdicos, já que a Sra Ministra tanto deles gosta.
Será que as condições de trabalho dos professores serão as mesmas? E os alunos por turma, Sra Ministra? Terão quase 3 dezenas de alunos numa sala como nós temos? E o tempo disponível para acompanhamento individual? Será tão reduzido quanto o nosso?
E, se calhar, referindo-me ao nosso quintal, não importa tocar no assunto dos concursos de professores e da instabilidade causada pelos mesmos. Parece que esse é um típico assunto do final do mês de Agosto.
Até porque não nos podemos esquecer que a classe dos professores está a escassos dias de saber se fica ou não colocada, ou seja, estamos em vias de saber quantos de nós ficam a contar os cêntimos para comprar o pão e a pensar no esforço que fizeram durante 4 anos para agora fazerem parte do exército de desempregados.
O que se passa com a Educação, neste momento, é realmente assustador e estamos perante uma Sra Ministra que apenas pretende atirar areia para os olhos do "seu" povo, escondendo a vontade cega que a move.
Rumamos pelo trilho errado. Tiramos crianças das suas escolas, encerrando centenas, alteramos rotinas familiares, sobrecarregamos professores (não nos esqueçamos da pouca vergonha do sistema de avaliação dos professores), criamos concursos de professores com erros totalmente inadmissíveis e fazemos com que as crianças deixem de reprovar. Mas o que vem a ser isto? Uma anedota?
Por favor, Sra Ministra, ponha a mão na consciência e tente pensar nos erros que está a cometer.
Lembre-se de onde veio e, em vez, de fazer ao funeral ao Ensino, tente dar-lhe um pouco de vida.
Tenha paciência, Sra Ministra, mas enquanto tomar medidas tão pouco democráticas, duvido que algum professor a reconheça como antiga colega. Por mim, prefiro ignorá-la.

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